29 de dezembro de 2007

Muito Bom!!!

Há um tempo atrás, eu que adoro design gráfico, branding, e afins, estava lendo sobre o redesenho da marca da varig e acabei caindo num blog com um texto muito bom, algum tempo depois com a mudança do logo da vale resolvi voltar ao mesmo blog para ver o que tinha e mais uma vez me deparei com um ótimo texto, então resolvi trazê-los pra cá...


divirtam-se


Monólogo imaginário, meramente especulativo e totalmente fictício, porém, quem sabe, verossímil, de um hipotético envolvido no redesenho de uma marca famosa e milionária.

Abre aspas:

Então. A gente pegou esse trampo de redesenhar a marca. A estratégia de comunicação pede para mostrar visualmente que alguma coisa mudou para mais moderno e também mais acessível, tá entendendo? Os novos donos acham que a marca atual é barroca, muito metida a chique. Essa caligrafia, por exemplo, não tem nada a ver. Essa rosa-dos-ventos é rebuscada. Vamos mexer em tudo!
A nossa tarefa é redesenhar a marca e os materiais de comunicação básicos, para termos uma apresentação pronta da proposta final na segunda-feira pela manhã, tá entendendo? Hoje é sexta, então vamos tocar pau nesse projeto que é de responsa. O briefing tá prontinho aqui na mão. Fala a verdade, não tá tão difícil assim. É só limpar "a" logo. O Corel faz isso praticamente sozinho. Tá duvidando? Vou te ensinar como se faz isso em quinze minutos, sem enrolação. Abre um espaço aí que a gente vai sentar do teu lado e dar os toques. OK. É o seguinte. Primeiro de tudo: esquece a rosa-dos-ventos. Isso, deleta daí, mas deixa guardada em algum lugar, que a gente ainda vai fazer uma firula com ela mais tarde. Beleza? Pega essas letras e espreme, entendeu? Cola elas bem. Junta tudo. Mais perto. Mais um pouco. Mais. Vai. Com fé. Mais um tantinho. Aí. Separa de volta... abre aqui... Isso. As letras muito separadas davam uma cara de velho, tá entendendo? Temos que modernizar a comunicação. Passar um ar jovem pro consumidor. Mas não sofisticado demais.
Tá quase. Mas ainda não parece moderno p.. nenhuma! Experimenta vazar a letra A. Isso, deixa igual à V de cabeça pra baixo. Pode usar a estrutura da letra original, mesmo. Sem crise. Beleza! Agora faz o seguinte. Tá vendo o R? Vaza ele também. Vai nos contornos do original, não inventa moda agora, que a gente não tem prazo pra perfumaria, tá entendendo? Isso. Faz reto mesmo, não tem problema. Pronto! Fala aí que não ficou mais moderno. Fala sério, eu é que devia estar sentado aí fazendo esse trabalho! Agora, a letra G. Aumenta o branco dentro dela. Tem que ficar... aéreo, entendeu a referência? É uma empresa aérea. Espaço vazio. Respiro. Isso mesmo. Encurta ali... Beleza. Não, deixa um pouco. Tem que poder ler de longe. Chanfra do lado. Melhorou. O computador não é uma maravilha?

Agora é o seguinte. Presta atenção. É pra não usar mais a caligrafia, apaga ela sem dó. Mas a gente vai incluir um elemento substituto, tá entendendo? Uma bandeirinha bem pequenininha, ali do lado do G. Meia altura da "tipologia". Não, é sério! É pra colocar uma bandeirinha do Brasil ali, como se fosse uma sexta letra do lado do G. Só que tem duas coisas. Não precisa do "Ordem e Progresso" nem das estrelas. Simplifica essa bagaça. Sem remorso. Segunda coisa, o amarelo da bandeira tem que ser laranja, tá entendendo? A cor corporativa dos novos donos é laranja. Precisa harmonizar. Eu sei, eu sei que é a bandeira nacional, que existe uma lei e tal, mas você acha que alguém vai reparar numa caquinha dessa? E a gente economiza não tendo que pedir uma tinta a mais na gráfica só pra pintar a bandeirinha toda vez, tá entendendo? Pantone não sei das quantas, acha aí. Esse mesmo. Perfeito!

Maravilha! Agora, a aplicação da marca. Você tem à mão aí a rosa-dos-ventos, né? Abre o arquivo que mostra a aplicação atual dela no leme da aeronave. Isso. Esse mesmo. Beleza.

Então. A marca atual é muito parada. O negócio precisa decolar, tem que voar, tá entendendo? Falta dinamismo. Tem que burilar o símbolo, só um pouquinho. Esse azul tá triste também. Vamos mudar tudo isso. Primeira coisa: a rosa-dos-ventos precisa incluir a cor laranja. É a cor dos novos donos, sabe como é. Não pode chiar. Ah, não tá dando contraste nas pontas? Taca um degradê ali que tá beleza. Isso. Pode sumir com as risquinhas brancas, essa mosquinhas fazendo círculo, tá entendendo? Aí. Maravilha. Agora, vaza a rosa-dos-ventos pra fora do leme. Deixa só um pedaço dela visível. A gente sempre vai usar só uma parte dela em todos os materiais daqui pra frente. Não, tou falando sério. Como assim, não faz sentido? Eu tô mandando. Não me questiona. Faz esse troço. Vaza essa p... já que não tem tempo pra frescurite. Isso mesmo. Não, eu tô te falando, não vai ter grilo. Pára com isso. O povo vai reconhecer a marca, claro que sim. Agora, joga de fundo um padrão de azul sobre azul, saca? Um zebrado azul em curva. Um desses negócios prontos que você aperta um botão e faz em dois palito aí. Isso, exatamente, esse mesmo. Que nem o daquela porta do fogão Continental. Começa escuro e vai clareando. Aumenta a curva ali. Boa. Olha que lindo que fica!

Matou! Viu como foi rapidinho? Te falei, o Corel é milagreiro. Joga as coisas nele que ele faz tudo. Te-le-pa-tia! Agora, toca bola pra frente e monta a apresentação aí. Prepara o PowerPoint com as imagens em baixa "da" logo e do leme, mais os prints em alta. E também exemplos de aplicação em folders, faixas, panfletos, prospectos, bordados, serigrafias, alto-relevo, pins, website, campanha de TV, jornal, revista, envelope, papel timbrado, cartaz, fachada, mural, luminoso de aeroporto, painel de Metrô, outdoor, projeção de holofote, sacola e locução de rádio. Agora... que é... deixa eu ver aqui... agora é sexta-feira, 18:36. Esse material tem que estar pronto impreterivelmente na segunda-feira, às 7:30 da manhã. O vice-presidente precisa disso na mesa dele na segunda bem cedinho, porque depois segue direto de viagem pra Miami. Ou Paris, não lembro agora. Mas então, veja bem, ainda tem dois dias inteirinhos pra matar isso, tá entendendo? Não pode dar chabu. Mas tá sossegado de prazo agora. Qualquer coisa, me dá um grito no celular, vou estar na praia, beleza? Tchau. Bom fim de semana.

Texto de Mario Amaya



22 de dezembro de 2007

Então é natal....




Um ótimo natal a todos os poucos, mas especiais leitores deste blog...


Muita saúde, paz, sucesso e design...

Newton e a apple...


Não, apesar do título não vou fazer nenhum tipo de relação entre Isaac Newton e a maçã de Steve Jobs, foi só um trocadilho tosco mesmo...
Citei Newton porque em uma das minhas insônias de férias, lá por volta de 4:30 da madrugada tive um insight(insight, será que deveria ser discutido no post sobre inspiração? hehe), enfim, peguei um caderno(de criações noturnas) que deixo na cabeceira da cama e comecei a "desenvolver um produto"... terminada a explosão inicial de idéias, decidi dormir e deixar pra pensar melhor no produto depois, "acordado"... mas quem disse que com tantos pensamentos eu conseguia dormir? Aí então me veio uma metáfora incrível do produto e consequentemente uma questão que me motivou a escrever este texto... Vale a pena deixar a realidade um instante de lado e dizer que o produto surgiu em determinada situação? Assim como a história de que Newton desenvolveu sua teoria quando a maçã caiu em sua cabeça? (Tudo bem que correntes dizem que ele já tinha a teoria praticamente pronta e a maçã apenas serviu como comprovação final) mas enfim, valorizaria mais meu produto dizer que o criei quando um dia de manhã enquanto comia uma tigela de nescau ball com leite reparei como as bolinhas se agrupavam no leite?
quem nunca, em nenhum momento de sua vida de design adicionou um conceito ou argumentação depois que o produto já havia sido criado que atire a primeira pedra...

Frase...

"Não é triste mudar de idéia, triste é não ter idéia para mudar"


Realmente, mas vamos tomar cuidado com os extremos, se muda muito de idéia é taxado de sem personalidade, se nunca muda de idéia é intransigente...

Inspiração



Quantas vezes ao não conseguir criar algo satisfatório ou mesmo não criar nada você já reclamou de falta de inspiração??

Eu já fiz isso muitas vezes... até ler um livro, cujo título infelizmente me fugiu da memória, acho que era Criatividade ou Criatividade em Propaganda, em que o autor explica a origem do uso da palavra inspiração...
Eu não vou conseguir explicar da mesma forma fascinante que o autor faz, passeando entre os diversos estilos literários, mas vou tentar resumir...
Na pintura e literatura, os primeiros estilos tinham um tema, ou temas.. barroco, impressionismo, expressionismo, todos que pertenciam a estes estilos, pintavam ou escreviam sobre algo em comum, que caracterizava tal movimento.. Isso até chegarmos ao Romantismo, em que o autor sentia a necessidade de buscar uma musa inspiradora, alguma coisa que inspirasse sua obra (e nisso bebiam e fumavam até morrer, cuidado designers sem "inspiração"), para eles temas pastoris, mito de dom sebastião, etc, não eram temas capazes de desencadear sua criatividade... Era necessário surgir a tal inspiração...
O autor do livro citado descorre sobre praticamente todas as vanguardas, fala com maestria do humanismo, renascimento, etc... mas sucintamente é isso, a questão é que a "inspiração" vem destes artistas que precisavam de algo que viesse não se sabe de onde, e que teria a capacidade quase mágica de fazer com que eles criassem uma grande obra...
Agora vamos voltar ao design, ou publicidade, ou arquitetura, enfim, à criação...
Por que o termo inspiração não cai bem para estas áreas?
Porque o designer não espera essa ajuda do além que motiva sua criação, ele não precisa buscar uma inspiração porque ele já possui um briefing para orientar o que ele precisa fazer, ele busca sim, referências, utiliza uma pesquisa de campo e bibliográfica, utiliza uma metodologia...
E lembre-se que muitas idéias que parecem surgir do nada, enquanto você está tomando banho, já estavam no seu subconsciente, gerada de um dia em que você estava passeando no shopping, viu alguma coisa corriqueira e nem se lembra mais, mas que ficou gravado no seu subconsciente...
é.. freud explica...hehe
pra terminar, a definição do dicionário:
Inspiração: .1 Ato ou efeito de inspirar ou de ser inspirado. 2. Coisa inspirada. 3. Idéia repentina ou espontânea.

1 de dezembro de 2007

Voltando...

Bom, depois de tanto tempo sem atualizar, as justificativas:

- Maratona da Eficiência Energética
Milagrosamente conseguimos colocar os dois carros para andar, não chegamos a ter maiores pretensões, mas pelo menos não fizemos feio e além do mais pra uma primeira participação... Mas uma coisa é fato, nos divertimos demais...hehe

- Palestras no Pré-Arlequinal e Arlequinal (RDesign)
Na primeira, por uma série de motivos não foi tanta gente, mas em compensação estava na platéia o Christian Ullman e o Thiago da Esdi que trabalha no desenvolvimento de novos materiais com a empresa Fibra Design Sustentável e que trocamos uma idéia e pegamos o contato. Já na palestra que demos no arlequinal, sem palavras, lotou e tinha gente que queria entrar, mas não pôde, e ainda fomos convidados para apresentá-la novamente no NDesign em Manaus, em junho de 2008.

- Arlequinal/RDesign/Design Possível
Agora eu e o André somos "possíveis", um projeto maravilhoso que merece um post individual em breve...

- Série Design Brasil
Ficou no primeiro e último texto mesmo porque acabou ficando muito longo, assim como os outros que tenho comigo, então achei melhor não colocar mais, e depois sintetizá-los e aí sim postá-los.


E agora com as férias terei mais tempo de escrever, e espero que o André e o Tiago façam o mesmo já que a desculpa era que eles não sabiam postar e já os ensinei...