29 de dezembro de 2007

Muito Bom!!!

Há um tempo atrás, eu que adoro design gráfico, branding, e afins, estava lendo sobre o redesenho da marca da varig e acabei caindo num blog com um texto muito bom, algum tempo depois com a mudança do logo da vale resolvi voltar ao mesmo blog para ver o que tinha e mais uma vez me deparei com um ótimo texto, então resolvi trazê-los pra cá...


divirtam-se


Monólogo imaginário, meramente especulativo e totalmente fictício, porém, quem sabe, verossímil, de um hipotético envolvido no redesenho de uma marca famosa e milionária.

Abre aspas:

Então. A gente pegou esse trampo de redesenhar a marca. A estratégia de comunicação pede para mostrar visualmente que alguma coisa mudou para mais moderno e também mais acessível, tá entendendo? Os novos donos acham que a marca atual é barroca, muito metida a chique. Essa caligrafia, por exemplo, não tem nada a ver. Essa rosa-dos-ventos é rebuscada. Vamos mexer em tudo!
A nossa tarefa é redesenhar a marca e os materiais de comunicação básicos, para termos uma apresentação pronta da proposta final na segunda-feira pela manhã, tá entendendo? Hoje é sexta, então vamos tocar pau nesse projeto que é de responsa. O briefing tá prontinho aqui na mão. Fala a verdade, não tá tão difícil assim. É só limpar "a" logo. O Corel faz isso praticamente sozinho. Tá duvidando? Vou te ensinar como se faz isso em quinze minutos, sem enrolação. Abre um espaço aí que a gente vai sentar do teu lado e dar os toques. OK. É o seguinte. Primeiro de tudo: esquece a rosa-dos-ventos. Isso, deleta daí, mas deixa guardada em algum lugar, que a gente ainda vai fazer uma firula com ela mais tarde. Beleza? Pega essas letras e espreme, entendeu? Cola elas bem. Junta tudo. Mais perto. Mais um pouco. Mais. Vai. Com fé. Mais um tantinho. Aí. Separa de volta... abre aqui... Isso. As letras muito separadas davam uma cara de velho, tá entendendo? Temos que modernizar a comunicação. Passar um ar jovem pro consumidor. Mas não sofisticado demais.
Tá quase. Mas ainda não parece moderno p.. nenhuma! Experimenta vazar a letra A. Isso, deixa igual à V de cabeça pra baixo. Pode usar a estrutura da letra original, mesmo. Sem crise. Beleza! Agora faz o seguinte. Tá vendo o R? Vaza ele também. Vai nos contornos do original, não inventa moda agora, que a gente não tem prazo pra perfumaria, tá entendendo? Isso. Faz reto mesmo, não tem problema. Pronto! Fala aí que não ficou mais moderno. Fala sério, eu é que devia estar sentado aí fazendo esse trabalho! Agora, a letra G. Aumenta o branco dentro dela. Tem que ficar... aéreo, entendeu a referência? É uma empresa aérea. Espaço vazio. Respiro. Isso mesmo. Encurta ali... Beleza. Não, deixa um pouco. Tem que poder ler de longe. Chanfra do lado. Melhorou. O computador não é uma maravilha?

Agora é o seguinte. Presta atenção. É pra não usar mais a caligrafia, apaga ela sem dó. Mas a gente vai incluir um elemento substituto, tá entendendo? Uma bandeirinha bem pequenininha, ali do lado do G. Meia altura da "tipologia". Não, é sério! É pra colocar uma bandeirinha do Brasil ali, como se fosse uma sexta letra do lado do G. Só que tem duas coisas. Não precisa do "Ordem e Progresso" nem das estrelas. Simplifica essa bagaça. Sem remorso. Segunda coisa, o amarelo da bandeira tem que ser laranja, tá entendendo? A cor corporativa dos novos donos é laranja. Precisa harmonizar. Eu sei, eu sei que é a bandeira nacional, que existe uma lei e tal, mas você acha que alguém vai reparar numa caquinha dessa? E a gente economiza não tendo que pedir uma tinta a mais na gráfica só pra pintar a bandeirinha toda vez, tá entendendo? Pantone não sei das quantas, acha aí. Esse mesmo. Perfeito!

Maravilha! Agora, a aplicação da marca. Você tem à mão aí a rosa-dos-ventos, né? Abre o arquivo que mostra a aplicação atual dela no leme da aeronave. Isso. Esse mesmo. Beleza.

Então. A marca atual é muito parada. O negócio precisa decolar, tem que voar, tá entendendo? Falta dinamismo. Tem que burilar o símbolo, só um pouquinho. Esse azul tá triste também. Vamos mudar tudo isso. Primeira coisa: a rosa-dos-ventos precisa incluir a cor laranja. É a cor dos novos donos, sabe como é. Não pode chiar. Ah, não tá dando contraste nas pontas? Taca um degradê ali que tá beleza. Isso. Pode sumir com as risquinhas brancas, essa mosquinhas fazendo círculo, tá entendendo? Aí. Maravilha. Agora, vaza a rosa-dos-ventos pra fora do leme. Deixa só um pedaço dela visível. A gente sempre vai usar só uma parte dela em todos os materiais daqui pra frente. Não, tou falando sério. Como assim, não faz sentido? Eu tô mandando. Não me questiona. Faz esse troço. Vaza essa p... já que não tem tempo pra frescurite. Isso mesmo. Não, eu tô te falando, não vai ter grilo. Pára com isso. O povo vai reconhecer a marca, claro que sim. Agora, joga de fundo um padrão de azul sobre azul, saca? Um zebrado azul em curva. Um desses negócios prontos que você aperta um botão e faz em dois palito aí. Isso, exatamente, esse mesmo. Que nem o daquela porta do fogão Continental. Começa escuro e vai clareando. Aumenta a curva ali. Boa. Olha que lindo que fica!

Matou! Viu como foi rapidinho? Te falei, o Corel é milagreiro. Joga as coisas nele que ele faz tudo. Te-le-pa-tia! Agora, toca bola pra frente e monta a apresentação aí. Prepara o PowerPoint com as imagens em baixa "da" logo e do leme, mais os prints em alta. E também exemplos de aplicação em folders, faixas, panfletos, prospectos, bordados, serigrafias, alto-relevo, pins, website, campanha de TV, jornal, revista, envelope, papel timbrado, cartaz, fachada, mural, luminoso de aeroporto, painel de Metrô, outdoor, projeção de holofote, sacola e locução de rádio. Agora... que é... deixa eu ver aqui... agora é sexta-feira, 18:36. Esse material tem que estar pronto impreterivelmente na segunda-feira, às 7:30 da manhã. O vice-presidente precisa disso na mesa dele na segunda bem cedinho, porque depois segue direto de viagem pra Miami. Ou Paris, não lembro agora. Mas então, veja bem, ainda tem dois dias inteirinhos pra matar isso, tá entendendo? Não pode dar chabu. Mas tá sossegado de prazo agora. Qualquer coisa, me dá um grito no celular, vou estar na praia, beleza? Tchau. Bom fim de semana.

Texto de Mario Amaya



22 de dezembro de 2007

Então é natal....




Um ótimo natal a todos os poucos, mas especiais leitores deste blog...


Muita saúde, paz, sucesso e design...

Newton e a apple...


Não, apesar do título não vou fazer nenhum tipo de relação entre Isaac Newton e a maçã de Steve Jobs, foi só um trocadilho tosco mesmo...
Citei Newton porque em uma das minhas insônias de férias, lá por volta de 4:30 da madrugada tive um insight(insight, será que deveria ser discutido no post sobre inspiração? hehe), enfim, peguei um caderno(de criações noturnas) que deixo na cabeceira da cama e comecei a "desenvolver um produto"... terminada a explosão inicial de idéias, decidi dormir e deixar pra pensar melhor no produto depois, "acordado"... mas quem disse que com tantos pensamentos eu conseguia dormir? Aí então me veio uma metáfora incrível do produto e consequentemente uma questão que me motivou a escrever este texto... Vale a pena deixar a realidade um instante de lado e dizer que o produto surgiu em determinada situação? Assim como a história de que Newton desenvolveu sua teoria quando a maçã caiu em sua cabeça? (Tudo bem que correntes dizem que ele já tinha a teoria praticamente pronta e a maçã apenas serviu como comprovação final) mas enfim, valorizaria mais meu produto dizer que o criei quando um dia de manhã enquanto comia uma tigela de nescau ball com leite reparei como as bolinhas se agrupavam no leite?
quem nunca, em nenhum momento de sua vida de design adicionou um conceito ou argumentação depois que o produto já havia sido criado que atire a primeira pedra...

Frase...

"Não é triste mudar de idéia, triste é não ter idéia para mudar"


Realmente, mas vamos tomar cuidado com os extremos, se muda muito de idéia é taxado de sem personalidade, se nunca muda de idéia é intransigente...

Inspiração



Quantas vezes ao não conseguir criar algo satisfatório ou mesmo não criar nada você já reclamou de falta de inspiração??

Eu já fiz isso muitas vezes... até ler um livro, cujo título infelizmente me fugiu da memória, acho que era Criatividade ou Criatividade em Propaganda, em que o autor explica a origem do uso da palavra inspiração...
Eu não vou conseguir explicar da mesma forma fascinante que o autor faz, passeando entre os diversos estilos literários, mas vou tentar resumir...
Na pintura e literatura, os primeiros estilos tinham um tema, ou temas.. barroco, impressionismo, expressionismo, todos que pertenciam a estes estilos, pintavam ou escreviam sobre algo em comum, que caracterizava tal movimento.. Isso até chegarmos ao Romantismo, em que o autor sentia a necessidade de buscar uma musa inspiradora, alguma coisa que inspirasse sua obra (e nisso bebiam e fumavam até morrer, cuidado designers sem "inspiração"), para eles temas pastoris, mito de dom sebastião, etc, não eram temas capazes de desencadear sua criatividade... Era necessário surgir a tal inspiração...
O autor do livro citado descorre sobre praticamente todas as vanguardas, fala com maestria do humanismo, renascimento, etc... mas sucintamente é isso, a questão é que a "inspiração" vem destes artistas que precisavam de algo que viesse não se sabe de onde, e que teria a capacidade quase mágica de fazer com que eles criassem uma grande obra...
Agora vamos voltar ao design, ou publicidade, ou arquitetura, enfim, à criação...
Por que o termo inspiração não cai bem para estas áreas?
Porque o designer não espera essa ajuda do além que motiva sua criação, ele não precisa buscar uma inspiração porque ele já possui um briefing para orientar o que ele precisa fazer, ele busca sim, referências, utiliza uma pesquisa de campo e bibliográfica, utiliza uma metodologia...
E lembre-se que muitas idéias que parecem surgir do nada, enquanto você está tomando banho, já estavam no seu subconsciente, gerada de um dia em que você estava passeando no shopping, viu alguma coisa corriqueira e nem se lembra mais, mas que ficou gravado no seu subconsciente...
é.. freud explica...hehe
pra terminar, a definição do dicionário:
Inspiração: .1 Ato ou efeito de inspirar ou de ser inspirado. 2. Coisa inspirada. 3. Idéia repentina ou espontânea.

1 de dezembro de 2007

Voltando...

Bom, depois de tanto tempo sem atualizar, as justificativas:

- Maratona da Eficiência Energética
Milagrosamente conseguimos colocar os dois carros para andar, não chegamos a ter maiores pretensões, mas pelo menos não fizemos feio e além do mais pra uma primeira participação... Mas uma coisa é fato, nos divertimos demais...hehe

- Palestras no Pré-Arlequinal e Arlequinal (RDesign)
Na primeira, por uma série de motivos não foi tanta gente, mas em compensação estava na platéia o Christian Ullman e o Thiago da Esdi que trabalha no desenvolvimento de novos materiais com a empresa Fibra Design Sustentável e que trocamos uma idéia e pegamos o contato. Já na palestra que demos no arlequinal, sem palavras, lotou e tinha gente que queria entrar, mas não pôde, e ainda fomos convidados para apresentá-la novamente no NDesign em Manaus, em junho de 2008.

- Arlequinal/RDesign/Design Possível
Agora eu e o André somos "possíveis", um projeto maravilhoso que merece um post individual em breve...

- Série Design Brasil
Ficou no primeiro e último texto mesmo porque acabou ficando muito longo, assim como os outros que tenho comigo, então achei melhor não colocar mais, e depois sintetizá-los e aí sim postá-los.


E agora com as férias terei mais tempo de escrever, e espero que o André e o Tiago façam o mesmo já que a desculpa era que eles não sabiam postar e já os ensinei...

18 de outubro de 2007

É...

Se no outro post sobre grafismo eu disse que era genial, o que dizer desse cara??


eu já tinha visto faz um tempo, mas não lembrava o nome... lembrei: J. Beever...





A gente achava que sabia fazer perspectiva...


Ps.: Sexta-Feira, dia 26 de outubro, eu e o André vamos apresentar uma palestra no IED (Instituto Europeu de Design), não sei o horário exato, mas será entre as 16 e 19 horas.
A palestra será sobre Materialidade e o Ecodesign e depois vamos reapresentá-la no RDesign..
Todos convidados, no IED só precisa ligar pra eles pra ver mais detalhes...

12 de outubro de 2007

Série Design Brasil #1

Maratona da Eficiência Energética, Design na Brasa, RDesign, Prêmio Whirlpool Inova/ Brastemp-Consul... fora os trabalhos acadêmicos... e a segunda iniciação científica minha e do André (are u crazy man?? yeah..)

Outubro e começo de novembro tá muito corrido pra gente, mas não é por isso que vamos deixar de gerar conteúdo, e na falta de textos próprios estou começando agora o que batizei de Série Design Brasil (só o nome parece de documentário), com alguns textos que achei interessante do site Design Brasil...

Pra começar um texto interessante e que faz sentido, mas que poucos pararam para pensar.. e escrever..



Design versus Tradição
O design se alimenta da tradição

Existe a crença que o design é algo intimamente ligado à modernidade, e que, para ser chamado cabalmente de “design”, necessariamente deve romper antigos paradigmas, ou seja, produzir inovações radicais, formar conceitos revolucionários ou ainda, simplesmente chamar a atenção com algo diferente e arrojado.

Na verdade o design está se alimentando diretamente da tradição e, se fosse sempre limitado ao surgimento de revoluções e novidades, já estaria reduzido a um leque ínfimo de empresas para produzi-lo e de gênios para criá-lo.

Por outra parte, o setor moveleiro é dos mais arraigados na tradição. Observa-se que um sofá ou um guarda-roupa, pouco há mudado na sua essência nos últimos 300 anos. As interferências coincidem com melhorias de ordem tecnológica de acordo com novos materiais, como o MDF e muitas ferragens inexistentes há escassos 50 anos.

Grande parte dos produtos em que o design oferece um maior destaque são justamente aqueles que aproveitam as novas prestações tradicionais, sejam autênticos ou modificados, como no caso das chapas pré-compostas Alpi ou Tabule italianas, que recriam a madeira a partir de troncos desenrolados e recolados tingidos, moldados e novamente cortados em finas lâminas, gerando assim uma nova madeira aperfeiçoada e “incrementada” no desempenho, pois tem melhores características que a original.
O aumento do número de materiais disponíveis aumenta em forma exponencial. Um móvel de 100 anos atrás geralmente era composto por três ou quatro materiais: madeira, ferro, cera ou goma laca. Hoje o mesmo móvel combina três ou quatro derivados da madeira, ferragens que são miniaturas tecnológicas, puxadores em plástico cromado, verniz de poliuretano, vidro, acrílico, luminárias halógenas, alumínio, etc. Mas a novidade dá-se também em produtos de único material como é o caso das cadeiras de plástico.

Feitas em uma só peça com apenas dois processos de produção (injeção e corte de rebarba), em poucos meses tomaram conta do mercado, o que deixou no caminho várias empresas, especialmente as que trabalhavam com tubo e ripas de PVC que, 15 anos atrás e por tempo reduzido, reinaram no mercado de móveis para exteriores.

Apesar dos bem sucedidos esforços das empresas italianas para venderem cadeiras de plástico para mercados de maior poder aquisitivo, este tipo de produto não tem a menor possibilidade de conquistar o mercado da velha madeira, precisamente devido à necessidade intrínseca que todos nós temos, de ter um referencial da natureza da qual somos parte.

A necessidade do componente tradicional mantém vivas e pujantes as indústrias de móveis, apesar desta pesada concorrência tecnológica.

A tradição na modernidade, não é a reprodução literal do modo de vida de nossos antepassados; hoje ninguém abre mão da praticidade que nos oferece a tecnologia, porém ainda que seja de forma subliminar, precisamos do passado para sentir segurança no presente. Por isto o mercado oferece tantos produtos com imitação de madeira, esta tratá-se de um referente tradicional importante, e já entrando no século XXI, percebemos que as casas plásticas e ascéticas, vistas nos seriados futuristas, nunca aconteceram.

Quando design e tradição se unem, o produto resultante possivelmente jamais consiga ganhar concursos ou até mesmo aparecer nas revistas do setor. No entanto, com certeza o fabricante vai ter um mercado garantido.

Numa pesquisa que tive oportunidade de realizar na Itália poucos anos atrás, e que deu origem ao livro “Aprendendo com o Líder”, editado pela Móveis de Valor, surpreendeu-me o fato de que 70% dos móveis italianos, consumidos na Itália, eram de estilo clássico. Os móveis de design que se vendem naquele país são em sua grande maioria para uns poucos yuppies locais e para o mercado de exportação.

O setor do móvel clássico na Feira de Milão, bastante desprezado pela mídia que visita o evento, resulta um dos mais interessantes para quem se interessa por analisar o mercado. Posso me atrever a afirmar, embora alguns colegas designers me olhem com espanto, que nesta área encontramos exemplos do que existe de mais refinado em termos de design e criatividade. Isto porque o móvel clássico, melhor chamado de inspiração clássica, tem hoje um forte componente temático que explora esta necessidade de identificação do usuário com raízes e tradição. Este novo móvel está sendo reinventado; sua função o torna diferente por estar adaptado às necessidades e espaços modernos. Já se dispõe das técnicas para produzir artificialmente furos de traça, fezes de mosca, etc., conseguindo assim proporcionar ao móvel um aspecto surrado e envelhecido, não importando se estes são para computador, estantes para TV ou barzinhos com geladeira.

Como fazer compatível as comodidades modernas com o produto de inspiração clássica, e dar credibilidade ao produto resultante em sua comunicação – aí reside o grande desafio que muitos designers anônimos, por fora do circuito das badalações, executam com maestria.


Jorge Montana é designer industrial com mestrado em design de móveis. A teoria aqui exposta aplicada em produtos lhe conferiu várias distinções entre eles a Menção Honrosa para a móveis da coleção jangada no XV Prêmio Museu da Casa Brasileira e na Movelsul 2002.

Fonte: http://www.designbrasil.org.br/ / Data de publicação original: 01/02/2005

6 de outubro de 2007

Carro para Deficientes


Desenvolvido na Hungria, o Kenguru é um carro para deficientes em cadeiras de rodas.
Basta o dono do carro levantar sua porta traseira para entrar com cadeira e tudo, e sair dirigindo seu carro, sem precisar esperar por gentilezas e ônibus com portas especiais.
Existem muitas áreas em que os designers poderiam atuar, mas não o fazem, não sei se por falta de "glamour" dessas áreas, falta de empresas interessadas, ou o que, por isso toda e qualquer iniciativa neste sentido merece destaque..
E quando vi esse carro inevitavelmente lembrei da pessoa mais singular (ou seria múltipla?), louca, hiperativa e sem noção que já conheci.
(Só pra se ter uma idéia, desenvolvi um projeto com ela uma vez que era um porta-papel higiênico, e o que ela me sugere na hora de fazer o relatório? "Vamos imprimir em um rolo de papel higiênico!!" Imagina a cara do professor se recebesse um rolo como memorial descritivo... hehe como diria ela: ADORO!!)
Enfim, lembrei da Pry, porque pro trabalho do curso de Design da Mobilidade dela na Faap, ela tá desenvolvendo um automóvel para deficientes, e se casos como esse são raros, sendo que este exemplo acima é da Hungria, a Pry dá um grande exemplo de como o designer pode direcionar seu conhecimento, oportunidades e esforço para projetos que lhe tragam não somente o retorno financeiro e uma simples autopromoção, mas saber que com o seu trabalho você pode ajudar de forma efetiva pessoas que precisam.
Todos os meses, semanas e dias, as maiores empresas do mundo pesquisam o consumidor em busca de tendências e novas necessidades, novos nichos, pois querem encontrar um novo mercado para aumentar a venda de seus produtos.
Enquanto se criam celulares com touch screen (iphone, lg prada, etc), uma tecnologia que surgiu de uma necessidade(??) criada, pois os botões tradicionais ainda são capazes de atender os usuários; existem pessoas que não conseguem simplesmente ir e vir porque não existem tecnologias que a atendam, mas como pedir que hajam tecnologias para deficientes, se nem calçadas com guias rebaixadas eles tem em quantidade satisfatória..

Fica o exemplo da Pry.. que aliás, já quebra um grande paradigma por ser uma mulher nesse meio automobilístico machista..

Priscila Bohlsen, guardem esse nome, ainda vão ouvir muito por aí... seja no design, na medicina, no prêmio Nobel ou em Marte quem sabe...

29 de setembro de 2007

Genial...



Não tenho nem o que comentar...
Genialidade pura!!


28 de setembro de 2007

ATENÇÃO Designers!!!




Vai acontecer agora no final de outubro a 6ª edição do Design na Brasa, que tem como foco a Inovação e Sustentabilidade, o ingresso é R$ 30,00 e cada oficina R$ 20,00, e olha que o custo-benefíco é grande. E eu que participei de um evento parecido recentemente, o Fórum Internacional de Design e Inovação garanto que esse tipo de evento é realmente imperdível, agrega demais...

O site para mais informações é: http://www.designnabrasa.com.br/

Só pela presença do Profº Eddy e do Designer Christian Ullman já vale a pena...


Bom, aproveitando o tema, só pra avisar a partir de segunda-feira, dia 1º de outubro vai abrir a 2.ª edição da mostra Jovens Designers no Conjunto Nacional, que fica na Av. Paulista, perto do metrô Consolação pra quem não conhece..



E, não poderia deixar de falar, está pra acontecer, também em outubro o RDesign, absolutamente imperdível... Batizado de Arlequinal (referência a Mário de Andrade - Paulicéia Desvairada), o evento já está mobilizando bastante gente de diversos lugares do Brasil e vai acontecer na Belas Artes (alguns andares do prédio vão servir como dormitórios).


Querem um conselho? Cheguem assim que a facul abrir e saiam só quando ela fechar!!! É o que pretendo fazer...

25 de setembro de 2007

Frases

Eu particularmente, assim como o André, adoro frases de efeito... simples, curtas, mas que muitas vezes causam mais impacto e reflexão do que textos imensos...

Aproveitando a deixa e trazendo para o Design, esta é a metáfora perfeita para as identidades visuais, que devem ser simples, curtas e transmitir uma mensagem maior, conceitos, características e qualidades. E logicamente, causar impacto... além de ficar gravado na memória...

Pra começar, uma frase de Henry Ford:

"O avião só decola contra o vento e não a favor dele"

22 de setembro de 2007

Prospecção de Clientes

Bom, uma ótima leitura para quem como nós está abrindo um escritório, ou pra qualquer um, afinal, informações relevantes nunca são demais...


Acabei nem digitaizando para texto, nem acertando no photoshop, tava com pressa então estou jogando bem cru mesmo...
Fonte: Livro "Viver de Design" - Gilberto Strunck (Aliás esse designer é fera, vale ler os outros livros dele sobre branding) Editora 2AB

9 de setembro de 2007

Designers x Micreiros

Bom, pra começar vou falar sobre um assunto recorrente e que assusta muitos designers em formação: a concorrência com micreiros.

Recentemente numa conversa pós-almoço, com o Tiago, fizemos um balanço e análise do assunto e ficou bem claro uma coisa na minha cabeça: A forma precede o conteúdo. E digo isso porque se os micreiros existem é justamente por causa disso, lógico que tem outros fatores, como questões financeiras, desconhecimento ou "preguiça" dos contratantes, entre outros, mas principalmente porque, para a grande maioria dos clientes, o que importa mesmo é a parte estética. É essencial que se saiba que estou falando aqui dos micreiros, mas daqueles que realizam um trabalho com bom acabamento e apresentação, que inclusive nesse grupo podem ser incluídos alguns designers que trabalham a "forma pela forma", portanto não se trata dos micreiros chinfrins que nem acabamento e finalização sabem dar a um trabalho, esses nem me preocupo, pois a própria "natureza" trata de colocá-los em seu lugar devido.
Agora voltando ao assunto, a conclusão de que a forma precede o conteúdo até soa óbvia, mas na prática essa é uma questão ainda não tão clara para muitos designers, e eu me incluía nesse grupo até pouco tempo atrás. O que acontece é que para o cliente, salvo excessões, o que importa é o resultado mercadológico, o lucro, então poucos levam em consideração os conceitos aplicados, o estudo por trás do produto. E, se um arquiteto, físico, engenheiro, biólogo ou pedreiro fez um curso de computação bem feito, cria uma cadeira lindíssima, renderizada, apresentada em uma prancha toda diagramada, vestido de terno, mas sem nenhum conceito ou fundamentação teórica e apresenta para o cliente concorrendo com o trabalho de um designer com o mesmo nível de apresentação, mas com toda uma base justificando cada forma estética utilizada; se o cliente gostar mais da estética da cadeira do "não-designer", não há justificativa, pesquisa de campo, de cores, ergonomia que o faça mudar de idéia.
E por que isso acontece? Porque a forma precede o conteúdo... Porque quando o estudante com sonhos e idealizações da profissão entra na faculdade de Design, ele, que por falta de conhecimento e por ter ainda um pensamento micreiro, tem como prioridade a forma e não o conteúdo, até porque a maioria nem sabe ao certo o que é ergonomia, ou gestalt, enfim, ele quer criar, e criar coisas bonitas, como a Ferrari que ele viu na Quatro Rodas, ou o Ipod que ele viu na FNAC, mas o que ele recebe em sua formação é apenas professores metódicos dizendo sempre: Conteúdo, Funcionalidade, Ergonomia, etc, se não tiver não é design, é arte! Irmãos Campana? é arte nunca foi nem será design! E com isso o pensamento do estudante passa de Forma->Função para Função->Forma, e sabe porque a faculdade faz isso com os estudantes? Porque ela foge como o diabo da cruz dos micreiros, ela quer se afastar ao máximo não só deles como também de outros profissionais que também podem "fazer design" como arquitetos e engenheiros, ela quer tornar a profissão algo exclusivo, que só designers formados podem fazer. E ela não está errada, afinal esse é o caminho para tornar a profissão regulamentada e acabar com absurdos que se lêem por aí como "Hair Design" ou "Cake Design". Mas ao podar o senso livre dos estudantes, a faculdade acaba abrindo espaço para os micreiros, porque como iniciei esse texto, quando chega ao cliente, e até ao consumidor, a estética é o cartão de visitas, lógicamente que se o produto não corresponder em sua função, ele não será comprado novamente, mas o fato é que os estudantes e profissionais formados devem ter em mente que num primeiro momento ele vai concorrer com tantos outros profissionais na estética, e se ele não conseguir pelo menos empatar neste quesito, não haverá tempo nem paciência para mostrar e explicar os conceitos e toda a fundamentação. Imagine um empresário de uma grande empresa, quantas reuniões ele tem por dia, quantos pepinos a resolver, você acha que ele perderia mais de 15 minutos para ouvir alguem falando do conceito buscado nos microorganismos marinhos da Amazônia para a criação de um porta-canetas? Tenha certeza que o micreiro vai apenas mostrar um trabalho estéticamente apresentável em 5 minutos. Agora, se você deixar ele em dúvida quanto a estética dos dois produtos concorrentes, aí sim, os microorganismos da Amazônia vão fazer a diferença.

É bom deixar claro que não sou contra o método de ensino das faculdades de design, mas apenas estou alertando os estudantes que porventura venham a ler isso, que não deixem de sonhar, dêem a mesma importância que já dão as questões por trás do produto, à estética dele. E principalmente, o maior risco dos que criam pensando na função primordialmente, façam ela transparecer no produto, muitos passam horas falando das qualidades funcionais de um produto, mas isso fica só na teoria, quando qualquer um olha o produto não consegue perceber o conceito, e o designer não vai explicar o conceito a cada um dos milhares de consumidores. O produto deve falar por si só.
Mais uma vez, acho a faculdade super importante, ela forma seu repertório e te dá condições de sonhar com a forma estética tendo os pés no chão da função. E também te dá condições de criar bons produtos com regularidade e não só quando tiver um insight, aliás esse é um bom tema pra ser abordado futuramente.

Um exemplo final para ilustrar: Uma pessoa do RH de um escritório de Design precisa contratar um designer, ele recebe um portfólio de um designer que sabe conceituar como ninguém, prima pela funcionalidade de seus produtos; e também o portfólio de outro designer que passou a faculdade inteira escapando por pouco de DP, faltando nas aulas, mas que tem um dom incrível pra desenho e fez um portfólio lindo, cheio de sketches, renderings. Qual você acha que o recrutador vai escolher? Como enxergar e demonstrar pró-atividade, empenho, dedicação através de um desenho ou foto? Tudo bem, vocês podem argumentar que mais cedo ou mais tarde esse artista descompromissado vai sofrer na empresa, mas e aí, o recrutador vai se lembrar de chamar o outro? Difícil né...


Depois de tudo que falei espero não ser queimado na fogueira da Bauhaus, nem da Ulm...